quinta-feira, 30 de abril de 2015

17/52



"A portrait of my children, once a week, every week, in 2015"

inspirado na jodi.

Bárbara, 3 anos e 10 meses. Teresa, 14 meses. A minha mãe disse-me há uns dias "ainda bem que esta menina veio, faz tão bem à Bárbara, elas gostam tanto uma da outra". Perante isto, quem é que pode duvidar? São os sorrisos cúmplices, são os abraços e beijinhos quando se encontram no final do dia, são os momentos em que páram de brincar sozinhas e se encostam uma à outra fixas na televisão, em que a Bárbara quer cuidar da irmã. São as manhãs em que a Teresa vai para a cama da Bárbara fazer-lhe mimos. Um dia virão as brigas, as disputas pelos brinquedos, pelo colo e pela atenção. Mas por hoje é assim. Este amor. Tão grande, tão puro e tão, tão bom.

terça-feira, 28 de abril de 2015

[pedir desculpa]

Dormi 3 horas. Ando há umas noites com insónias. Há seis, precisamente, que foi quando comecei a tomar antibiótico por causa da rinite. 
Dormir mal faz-me ter frio... e mais fome. Mas o pior, o que menos suporto é o que faz ao meu feitio, à minha capacidade de relativizar e de me acalmar. Então gritei com a Bárbara de manhã. Atrasados como de costume para sair de casa queria vestir-lhe a bata mas ela não colaborava. Queria dizer-me alguma coisa. Num dia normal eu diria: "podes falar e vestir a bata ao mesmo tempo", ou "já falamos". Sei lá. Mas mandei um berro, gritei, já nem sei o que disse, passei-me. Ela começou a chorar, assustada. Vesti-lhe a bata, o casaco, pegamos na mochila, e saímos. Entrou com ar grave no elevador, já sem chorar, seguiu-me para o carro sem dizer o habitual "eu é que vou à frente!", esperou muito quieta enquanto eu abria o carro e colocava tudo na mala. Senti que tinha dado cabo da alegria caótica que há nas nossas manhãs, caí em mim. Quando a sentei na cadeira disse-lhe "desculpa querida, a mamã hoje está tão cansada que exagerou. Não devia ter gritado contigo. Gosto muito muito de ti." Ela sorriu e disse "eu também gosto muito muito de ti, mamã, desculpa também." Respondi-lhe "está tudo bem agora". 

Fui pelo caminho meio atordoada. Não quero ser aquela mãe histérica e desorganizadora. Mas momentos assim acontecem. Poucos felizmente, mas acontecem. Mas também não tenho a pretensão de ser a mãe perfeita. Já não. Não senti culpa. Só lamentei que o cansaço tivesse levado a melhor, mas sei que não sou assim. Não a humilhei, descontrolei-me, só isso. E só isso pode ser muito assustador. As pessoas costumam dizer "as desculpas evitam-se". Mas eu acredito que as desculpas são para se pedir, com toda a sinceridade e humildade, as vezes que forem precisas. Mesmo que seja à nossa filha pequenina, especialmente a ela. A mãe errou, e não há mal nenhum que ela saiba que a mãe às vezes também falha, que as situações se resolvem, que as falhas se perdoam.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

[sexta-feira]


A Bárbara de novo com febre, eu a lidar com a minha rinite descontrolada e mais uma vez a tentar esbracejar e a manter-me à tona para não me afogar em mil coisas e mil assuntos, e problemas e imprevistos. Menos caótico, verdade, mas suponho que é mesmo assim. 
Li uma frase há uns dias, no feed do Instagram, que nunca mais me saiu da cabeça. Bateu tão certo como um móvel do Ikea [aquilo não há como falhar uma peça, acertam tudo-tudo e este aparte serve para não tornar este post muito sentimentalão] e dizia assim "keep your heart where your feet are".
Este é o meu mantra desde então. A entrega total ao que fazemos é fundamental, sejam 5 minutos,  2 horas ou um dia inteiro. Acima de tudo pela minha família de 4, porque o importante é que estejamos bem, juntos e felizes. 
"Keep your heart where your feet are". Não é tão simples, tão óbvio e tão certo?

quinta-feira, 23 de abril de 2015

[o melhor do meu dia]


Eu e a Teresa fomos buscar a Bárbara ao colégio. Pediu chão, e mal viu a irmã sair da sala gatinhou pelo corredor fora a uma velocidade incrível. A Bá incentivava "Teresinha, vem! Teresinha! Teresinha!", até que se abraçaram, a Teresa levantou-se apoiada na irmã e soltou um "Oláaa!" e abraçaram-se. Os outros meninos aproximaram-se e vi o orgulho e sentido de protecção com que a Bárbara mostrava a irmã. Foi dos momentos mais enternecedores que vi entre as duas e foi, de longe, a melhor coisa que me podia ter acontecido hoje. 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

16/52



"A portrait of my children, once a week, every week, in 2015"

inspirado na jodi.

Teresa, 14 meses - Quem a vê gatinhar fora de casa, à velocidade com que o faz, lamenta-se pelas meias, pelas calças. Talvez eu seja um pouco negligente com as roupas delas, mas eu quero é que elas  brinquem muito, que sejam felizes, e se for preciso estragar roupa para isso, so be it.
Bárbara, 3 anos e 10 meses - Improvisámos uma pulseira de super-heróis e quis levá-la para o colégio, para a mostrar aos amigos.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

haters gonna hate [mas já chega]

Costumo dizer muitas vezes que se não nascesse nesta era seria muito infeliz. Adoro as novas tecnologias, a internet e o wifi, a possibilidade de estar sempre ligada, de poder fazer tudo sem fios. 
Gosto da forma como a informação flui e se troca, de como se criam movimentos. Das infinitas possibilidades, de conhecer sites e blogs novos quase todos os dias. 
Eu, como muita gente, usufruo da informação a que tenho acesso como acho melhor, filtro o que não me interessa, elimino o que não me traz nada de bom, partilho o que me parece interessante. O que não gosto, o que me choca, oculto. É natural.

Por isso tenho muita dificuldade em entender tanta coisa que leio por aí. Sejam comentários parvos e cruéis em blogues, sejam reacções exacerbadas a assuntos mais polémicos ou sensíveis nas várias redes sociais, o que vejo é que há muito pouco espaço para a diferença e para a individualidade. Custa-me particularmente a condenação de mulheres para com outras mulheres. Caramba. O sucesso de uma mulher deveria ser uma inspiração para todas as outras. Mas não é.
Mães acusam outras mães. Aparece uma Carolina Patrocínio a mostrar o osso do peito e é crucificada no Instagram. Aparece uma Jessica Athayde a desfilar de bikini e mandam-na enterrar-se num buraco para nunca mais sair. Chateia-me isto, em que é ficamos? Beleza natural é que é? Ou afinal temos que nos recauchutar da cabeça aos pés? Ser Charlie é ser hipócrita? Beber sumos detox é estúpido, passar 21 dias sem ingerir açúcar refinado é exagerado, enaltecer os dias do pai, da mãe, dos avós, dos gatos siameses é irritante?  Pelos vistos, porque chovem logo as sentenças. Ora, poupem-me. É proibido discordar? Não, mas com respeito, sem ironiazinhas. E não me venham dizer que quem anda à chuva molha-se. Não. Tem que haver cortesia, boa educação, respeito, civismo.

Pergunto-me se as pessoas são realmente assim. Em casa, nos empregos, entre amigos. Se são assim, intolerantes, fundamentalistas, se não têm filtros, se são assim, mal educadas e convencidas. Se são assim de facto, não me quero cruzar com elas, não as quero por perto. Ide apanhar ar, pessoas raivosas. Ide fazer ginástica, bebei um sumo verde. Ide fazer bebés. Ide ao psicólogo, ide ser felizes.
Deixem de chatear.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

[o melhor do meu dia]

Aconteceu. Consegui deitar a Teresa às 20.30 e a Bárbara às 21. Estavam exaustas. Estão sempre, ao fim do dia. Mas por mais que corra, nunca consigo pô-las na cama antes das 21.30, e nem sempre adormecem facilmente ou ao mesmo tempo. Não raras vezes, por estar tão em oposição, tenho que tirar a Teresa da cama e deixar que a Bárbara adormeça primeiro para voltar a tentar. 

O melhor de tudo foi ter conseguido deitá-las sem andar a despachar e a saltar passos. Parece que estar a organizar-me compensa. É muito por elas que faço este esforço, para que durmam o necessário, para que cresçam saudáveis. Se elas descansarem, eu também descanso, o pai também descansa.  Andamos todos mais felizes.

E ganhamos tempo. O pai foi tratar de umas compras, eu fiquei a terminar um trabalho. Pus Astrud Gilberto a tocar e fiz um chá de cidreira para mimar a minha garganta dorida. Preparei as roupas do dia seguinte, sacos e mochilas, fiz planos. Li algumas páginas do meu livro antes de dormir. E adormeci feliz.

Se há aprendizagem que tenho feito, é esta: cuidar de mim vale muito a pena. Gostar de mim também. Sabem porquê? Porque quanto mais gosto de mim, mais gosto dos outros. Eles merecem e eu também.
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