domingo, 25 de janeiro de 2015

[dormir]

Já há muito tempo que deito a cabeça na almofada e adormeço em segundos. Era este o momento que durante muitos anos evitava, como se o acto de deitar a cabeça na almofada fosse [e não é?] um confronto comigo mesma e um daqueles que queria adiar a todo o custo. 
Ultimamente, a correria dos dias e o cansaço extremo a que o meu corpo e a minha mente estão sujeitos não me permitem mais do que verificar se o alarme está a postos para a manhã seguinte, e eu acho que agradeço por isso. Durmo tranquila e profundamente [enquanto elas deixam], e creio que não é só pelo cansaço, mas porque agora, na hora de dormir não há um confronto, há um encontro, há tréguas, e sobretudo um compromisso comigo mesma: o de permitir-me descansar. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

[hoje] deixar

Deixei as janelas abertas com os furos das persianas a deixar entrar o ar. Deixei as camas por fazer, a louça por lavar, as roupas por guardar. 
Deixei a Bárbara [a chorar] no colégio, a Teresa [doente] com a avó. 
Deixei imensa papelada e a minha lista de tarefas em casa, trouxe comigo o computador, o telemóvel, um cachecol quente e um pacotinho de bolachas. Vim leve, mas com a cabeça cheia de preocupações. 

Espero que o dia se resolva por si. Começo a despachar trabalho, faço um telefonema para a minha mãe, que me acalma, a Teresinha está bem, dorme e não tem febre. Sem o apoio da lista a minha cabeça é obrigada a pensar no essencial, first things first. E tudo se vai fazendo. Vou pensando no jantar. Logo quando chegar penso nos brinquedos espalhados, na roupa para lavar. Levo pão fresco e o Daniel faz café para o dia seguinte, depois de deitar as miúdas sinto aquele cheiro bom e confortável que invade a casa.

Sim, o dia vai resolver-se. Tudo se resolve quando deixamos ir, quando simplesmente deixamos. 


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

3/52

"A portrait of my children, once a week, every week, in 2015"

Inspirado na jodi.


Bárbara, 3 anos e 7 meses - Super sorriso.
Teresa, 11 meses - Não é uma febrezita que a pára.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

2/52























"A portrait of my children, once a week, every week, in 2015"

Inspirado na jodi.

Teresa, 11 meses - A adorar o passeio.
Bárbara, 3 anos e 7 meses - A detestar o passeio.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

bar dos artistas

Hoje, por uma questão de agenda e porque o meu trabalho mo permite, fui trabalhar para o bar dos artistas, na Casa da Música. A envolvente é linda, a internet bastante decente e o ambiente uma delícia. Num instante temos silêncio e no outro um bando de músicos entra por ali. Alguns vocalizam, outros andam com os instrumentos às costas, juntam-se todos numa mesa e ficam a relaxar entre ensaios. Uns têm mesmo pinta de estrangeiros e é tão bom de repente ouvir falar inglês, francês, alemão, ou mesmo até umas tentativas de português. Gosto que a Casa da Música seja esse espaço onde vou assistir a bons concertos, mas que permite a qualquer pessoa estar mais próximo dos artistas, perceber a dinâmica dos ensaios, perceber a enorme preparação que é feita para uma actuação. Abrir o bar dos artistas ao público foi uma grande ideia. Perceber que o espaço é procurado, é aproveitado e é apreciado também deve ser gratificante para eles. Eu pelo menos, gosto de pensar que sim.




quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

1/52



























Quero muito levar este projecto a cabo, comprometer-me com isto. É um exercício interessante, este registo semanal em fotografia. Vou tentar melhorar a qualidade das fotos. Elas merecem.

Bárbara, 3 anos e 7 meses - Finalmente deixa lavar o cabelo com o chuveiro. O banho voltou a ser um momento de brincadeira e descontracção.
Teresa, 11 meses - Aprendeu a apontar.

"A portrait of my children, once a week, every week, in 2015"
Inspirado na jodi.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

[olá] 2015

Mentiria se dissesse que 2014 foi um ano muito bom. Teve muito de [muito] bom, com o nascimento da Teresinha. Mas foi um ano difícil, de ajustes, de tentativas e falhanços. Foi um ano em que fui posta à prova. Às vezes acho que superei, muitas vezes acho que não. Talvez esta sensação agridoce se deva ao facto de ter chegado ao último dia do ano esgotada, física e psicologicamente, no limite. 

Não esperava por dias tão difíceis como os que temos tido, com a Bárbara numa brutal ansiedade de separação e com tudo o que daí vem, despedidas, hora de dormir, alimentação, questões de comportamento. Tem sido muito complicado, e nem sempre estamos na melhor forma para lidar com ela, sobretudo por falta de descanso. Tenho muita dificuldade em verbalizar o que tem sido, de tão avassalador que tem sido. Mas é evidente que a nossa tranquilidade passa para ela, assim como o nosso desassossego. É algo em que temos trabalhado, um dia de cada vez. 

Estou consciente de que tudo leva o seu tempo e que isto há-de passar. E hão-de aparecer outras coisas, mais ou menos complicadas de resolver. Mas eu não quero tornar a educação das minhas filhas, a nossa vida, no fundo, um drama. E sei que isso depende muito de nós, pais, adultos.
Por isso, para 2015 fiz uma única resolução: cuidar de mim. Acho que passa muito por aí. Parece coisa pouca, mas pode ser hercúleo. O desafio é fazer com que não seja. É integrar esse cuidado nos meus dias, é inseri-lo nas minhas acções, nas minhas respostas. Cuidar de mim. E não falo de pele. Apenas. Falo de pele, corpo, olhar, mente e coração. Sobretudo do coração.

Sei que, se for capaz de cuidar de mim, serei capaz de tudo.

Um Bom Ano a todos. 
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