terça-feira, 14 de Outubro de 2014

[o melhor do meu dia]

Às 7 acordou a Teresinha. Palrou, palrou e fui buscá-la, mudei-lhe a fralda e preparei o leite. O pai deu-lhe o biberão e eu deitei-me mais 5 minutos. Às 7.15 acordou a Bárbara. Ouvi-lhe os passitos rápidos e parou, encostou-se à ombreira da porta a olhar, só com um olho aberto, o cabelo desgrenhado, o livro da Carochinha debaixo do braço. Chamei-a, deitou-se ao meu lado e assim ficamos os 4 na minha cama, nós nas pontas e elas no meio, num namoro pegado até serem mesmo horas de levantar. 

segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

[segunda-feira]

Comecei o dia meia murcha e a queixar-me disso no facebook. Blame it on mondays. Então alguém partilhou comigo uma mensagem que dizia "Amanhã de manhã, a primeira coisa que vais fazer é escrever ou repetir esta frase: no que depender de mim, vou agarrar a segunda-feira com boa disposição e ânimo". E de facto, encontrar em mim o impulso e a força para enfrentar um dia, que por acaso é o primeiro da semana não é fácil, não foi fácil, mas foi possível e fez toda a diferença. Eu não entendo de karmas, de mantras nem de chakras, eu mal me entendo a mim própria. Mas hoje relembrei uma coisa que anda sempre muito esquecida: se eu quero, eu consigo. 

[Obrigada, C. por aquelas palavras.]




sábado, 11 de Outubro de 2014

[bárbara be good]

Quando a Bárbara começou a fazer as primeiras birras fiquei muito aflita. Não sabia lidar com aquele estado de descontrolo. A primeira vez que ela se atirou para o chão aos berros pensei "onde está a minha filha?" e fiquei a olhar, incrédula, mas parte de mim queria fugir para bem longe. Depois comecei a fazer tentativas, lia umas coisas, punha em prática, ia pensando, e fomos traçando a nossa própria estratégia. 
Mas às vezes, em dias de exaustão, perco completamente a paciência e sai um berro ou uma palmada. Quase sempre corrijo logo a seguir, sem mostrar que estou tremendamente arrependida, sem que o sentimento de culpa me passe pela voz ou pelo olhar. Uma vez alguém disse que uma mãe nunca pede desculpa, mas eu tenho as minhas dúvidas. As mães também erram, as mães também choram. As mães falham. E pedir desculpa quando se erra, ou dizer "a mãe exagerou, está cansada e não queria gritar" é uma boa forma de ensinar a humildade. 
Com as birras da Bárbara aprendi muito. Primeiro, aprendi que as birras são coisas dela, não são dirigidas a mim. Como tal, aprendi a acolher e a conter toda aquela fúria, a acalmá-la e a ajudá-la a perceber o que sente. Segundo, aprendi que as crianças são para respeitar e levar muito a sério. E que desde cedo podem fazer escolhas e que ao escolher se sentem responsáveis e que controlam um bocadinho aquilo que as rodeia. Terceiro, aprendi que o caminho que parece mais lento e inglório é, na verdade, o mais directo. Vale a pena ter alguma tranquilidade e não mandar logo um berro. Mas não se nota logo. Com as birras da Bárbara aprendi a ler-me a mim própria e a ganhar confiança no meu papel de mãe. Fora os dias em que estou exausta, não tenho que me controlar para não lhe dar uma palmada no rabo, a voz sai-me naturalmente calma e firme, sinto-me segura. Eu sou a adulta e sinto que assim ela confia muito mais em mim e se confia respeita, sente-se amada e protegida. Zango-me, sim. Fico danada com ela, sim. Mas nunca lhe viro as costas, nunca deixo de lhe falar, nunca a abandono quando ela mais precisa, e é nestas alturas que efectivamente mais precisa.
Um dia, depois de a ter repreendido, acalmou-se e perguntou-me "e assim, mamã, já gostas mais de mim"? Respondi-lhe "às vezes não gosto do que tu fazes, mas gosto sempre de ti, sempre". É a mais pura das verdades, e eu quero que ela perceba que o que está em causa não é ela, mas sim o que ela faz. A minha filha mais velha é uma boa menina. Desobedecer não faz dela uma pessoa má. Bater nos pais é inaceitável, é horrível, mas não faz dela uma pessoa feia. E em fases de calmaria, quando acata o que lhe dizemos, quando responde ao que pedimos, quando conversa, quando pergunta, vêem-se muito bem os frutos da educação que lhe damos. 

terça-feira, 7 de Outubro de 2014

Acho que esta música diz-nos a todos alguma coisa

eu sei
que a vida tem pressa
que tudo aconteça
sem que a gente peça
eu sei
eu sei
que o tempo não pára
tempo é coisa rara
e a gente só repara
quando ele já passou
não sei se andei depressa demais
mas sei que algum sorriso eu perdi
vou pedir ao tempo
que me dê mais tempo
para olhar para ti
de agora em diante
não serei distante
eu vou estar aqui
cantei
cantei a saudade
da minha cidade
e até com vaidade
cantei
andei
pelo mundo fora
e  não via a hora
de voltar para ti
não sei
se andei depressa demais
mas sei que algum sorriso eu perdi
vou pedir ao tempo
que me dê mais tempo
para olhar para ti
de agora em diante
não serei distante
eu vou estar aqui
não sei se andei depressa demais
mas sei que algum sorriso eu perdi
vou pedir ao tempo
que me dê mais tempo
para olhar para ti
de agora em diante
não serei distante
eu vou estar aqui



segunda-feira, 6 de Outubro de 2014

[oito]







Oito meses e não há meio de este Amor me caber no peito.

sexta-feira, 3 de Outubro de 2014

Ballerina girl

Ontem ela foi à primeira aula de ballet. Tinha-me dito logo de manhã "não quero ir, mamã" e então expliquei-lhe que podia só ver, se não gostasse não teria que ir mais, mas que pelo menos experimentasse. Aceitou. 
De tarde vinha feliz, "Fui dançar mamã. Saltei, saltei, saltei. (Pôs os braços em arco por cima da cabeça). Girei, girei, girei". Hoje de manhã disse que queria dançar como uma bailarina.
Nunca imaginei que a pusesse no ballet tão pequenina. A nossa médica aconselhou, eu queria muito que ela experimentasse, pela minha própria experiência, porque as aulas de ballet das pequeninas são absolutamente encantadoras, e o colégio proporciona essa actividade, tudo convergiu. Mas o que eu quero acima de tudo, é que ela se sinta bem. Que salte, salte, salte. E gire, gire, gire. E voe, voe, voe. 



quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

[a vida]

Da última vez a sessão de psicoterapia teve que ser noutra sala. Em muitos anos deste processo acho que só tinha acontecido uma vez. Tudo, desde que entro pela porta até que saio, sensivelmente uma hora depois por essa mesma porta, faz parte da sessão. Para mim faz. E como tal, o acto de me sentar num outro sofá, numa outra sala, de outra cor, com outra planta, arranjar outra almofada para segurar, é significativo. Se não fosse, a "minha" psicóloga não me teria perguntado se me importava. Não me importei.
Percebi, em conjunto com outras reflexões, que a mudança já não me assusta. E que muito do que me impede de crescer, arriscar, ser feliz, apesar de ser o que conheço, apesar de ser uma esfera em que me sei mexer, apesar de ser o meu presente, já não é, nem quero que seja, o meu futuro.
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