segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

[playlist] da nossa futura casa

Sonhamos com uma casa. Não sabemos se nova, se recuperada, se projectada e construída por nós. Mas queremo-la, so bad. Sonhamos com os jantares que faremos no jardim de trás numa mesa grande de madeira. Sonhamos com as nossas filhas a brincar lá fora. Sonhamos com a felicidade nessa casa. Ele sonha com a sua horta, eu sonho com a minha sala cheia de livros, candeeiros e fotografias em molduras. E com as árvores que verei lá fora, do meu sofá. E em casa, ouviremos música, sempre. 

[a nossa casa] papéis

Cá em casa invertem-se os papéis convencionais. Ele trata das plantas, arranja o peixe, trata da horta, prepara os legumes antes de os guardar no frigorífico. Eu tiro medidas e faço cálculos, faço os furos na parede, monto os móveis que compramos. Muitas vezes faço-o sozinha, sem qualquer esforço. Talvez o facto de ser arquitecta me confira alguma aptidão para estas tarefas, mas por outro lado é a fase da obra a que menos me agrada, precisamente por toda a sujidade inerente. E outras coisas que não vêm ao caso. Seja como for, dá-me imenso gozo andar de nível, fita métrica ou de black&decker na mão e sonho com o dia em que vou pegar numa lata de tinta e pintar o quarto das miúdas. Comecei mesmo pelo quarto delas, com uma prateleira para livros. Depois coloquei uns cabides no hall. A seguir seria uma sapateira, mas acabaram-se as buchas e os parafusos. Depois serão umas gavetas, para montar. Quadros para fixar. E assim tudo vai ganhando um lugar, certo e definitivo. E eu gosto muito disso, dá-me paz e serenidade. 



quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

douro

Passar uns dias fora este ano era um desejo, mas com o nascimento da Teresinha e com demasiadas incertezas, não fizemos planos. O tempo não se recomenda, e então vamos passeando, convivendo com amigos e família, descobrindo sítios novos, ao nosso ritmo, à nossa vontade. 
Um destes dias fomos até ao Douro matar saudades e mostrá-lo às nossas filhas. [Há 4 anos fugimos para lá, literalmente, por um pouco de sossego, um mês ou dois antes de ficar grávida da Bárbara. Ficámos num quarto lindo sem televisão, e com a vista mais maravilhosa: as montanhas altas, ondeadas, os socalcos, as vinhas, o rio, as quintas. Senti-me em casa, eu, apreciadora da selva de betão].
Não chegámos cedo, a nossa vontade era de ficar, dar entrada num hotel e passar a noite para aproveitar um pouco mais. Mas com duas crianças pequenas a improvisação tem limites.
Voltámos por estes dias, a um Douro não tão profundo mas igualmente apaixonante. Demorei um dia inteiro a preparar malas para duas noites e fomos iludidos pela ideia de descanso e de paz, mas foi a última coisa que tivemos. Entre outras peripécias, tentei fazer uma aula de hidroginástica na piscina exterior, mas a Bárbara desatou a chorar porque queria ir para o pé de mim [ela já estava roxa do frio, por isso tive mesmo que sair] e noutra manhã a Teresinha agarrou na minha chávena de café, virou-o por cima da minha mão e eu queimei-me. Num dos almoços no hotel, o D. interrompeu para ir mudar a fralda à bebé e a Bárbara quis ir com eles. Fiquei sozinha durante 10 minutos, em silêncio, na sala quase deserta, garfada atrás de garfada, limpava a boca, bebia água. Sem interrupções, sem mandar sentar, sem apanhar brinquedos do chão. Foi então que percebi duas coisas. Faz-me [nos] falta tempo assim, a sós ou a dois, mesmo sabendo que não vamos falar de outra coisa senão delas e que vamos morrer de saudades. A outra coisa é que fazemos isto agora por elas, o importante é que elas usufruam, é que elas se divirtam, brinquem e riam, mesmo que isso nos sacrifique o descanso. Vê-las felizes, em constante exploração e descoberta, é tão compensador.

O regresso foi doce e a Bárbara não poderia ter expressado melhor aquilo que também nós sentimos: "Mamã, eu adoro a minha casa".

quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

[correr, saltar, rir, brincar]


Um dia maravilhoso no meio deste Agosto incaracterístico.

domingo, 10 de Agosto de 2014

síndrome dos SIMS desnaturados

Para quem conhece o jogo dos SIMS, imaginem o seguinte. Sabem quando um casal [de SIMS] vive na mesma casa e se apaixonam um pelo outro [no início do jogo e apesar de coabitarem é como se fossem estranhos] e depois perguntam-lhes se querem um bebé? Se a resposta for afirmativa, aparece lá uma pequena alcofa com um bebé para tratar. Sempre tive curiosidade para saber se aquele bebé eventualmente cresce, se terá nome e essas coisas. Mas nunca consegui ficar com ele. Era tal o frenesim de dar de comer, adormecer, brincar, etc., o bebé só chorava e os pobres dos pais não tinham tempo de responder a tudo. Acabava por vir a assistente social e levava o petiz. 
Cá em casa as coisas não são tão drásticas, mas é assim que me sinto, como um SIMS desaustinado. Passamos muitos dias em correria, a cruzarmo-nos por uma casa caótica a acorrer a todas as necessidades das nossas filhas, a tentar deixar pelo menos o básico feito. Tem dias em que nem à noite temos tréguas e o sossego já chega demasiado tarde e as manhãs começam invariavelmente cedo. Na maior parte das manhãs acordo com muitas dores nos ombros, nos pulsos, julgo ser da tensão em que durmo. Quando me levanto pareço uma mulher sob o  efeito do álcool. Na maior parte das noites deito-me ainda em estado de alerta. Só penso em tarefas e coisas que queria tanto ter feito e não fiz, sítios onde queria ter ido e não fui. 
Uma das coisas que mais me custa é ver o D. chegar do trabalho e não o deixar sentar 5 minutos. Ele entra e leva logo com uma filha nos braços, para que eu possa ao menos começar o jantar. 
Não sei como os outros conseguem, se passam pelo mesmo, se também sentem este esmagamento. Ouço muitas vezes que vai passar, que o tempo torna as coisas mais fáceis. Talvez. Eu queria-as mais fáceis já. Para aproveitar mais e melhor esta fase delas. São pequeninas, são surpreendentes, são tão deliciosas. E precisam tanto de nós. Mais do que a casa arrumada, ou de incontáveis brinquedos. 
A assistente social não vem cá a casa. Se viesse gostava que ma arrumasse, que passasse umas roupitas a ferro, e talvez o fizesse, talvez, se lhe pedisse com jeitinho.

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

seis meses, teresinha


É a bebé mais cool, mais querida e sorridente. Adora a irmã, adora brincar com palhinhas, adora dormir de barriga para baixo. Não é muito fã de banho, mas adora os cremes e as massagens a seguir. Tem os pés mais lindos, o pescocinho mais cheiroso. Faz hoje seis meses que nasceu e é a nossa ternura, o nosso tesouro, a nossa caçula. 

*Quando publiquei o post era já dia 7. Mas o dia dela é o 6. Seis aos seis. 
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